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“Hamlet” traz interpretação ímpar de Thiago Lacerda.” Dirceu Alves Jr VEJA SP
“No canto esquerdo do palco, percebe-se uma figura silenciosa e encapuzada. É o Hamlet monumental de Thiago Lacerda.São dois fatos distintos, que se encontram. A aparição de um dos mais enigmáticos personagens do teatro e um ator no seu momento maior.” Jefferson Del Rios ESTADAO
“Thiago Lacerda: revolta, fragilidade e loucura numa interpretação ímpar” Dirceu Alves Jr VEJA SP
“A voragem subterrânea ou explícita de Hamlet está em Thiago Lacerda com as vestes daqueles dias antigos e uma interpretação apaixonada que o eleva como ator à altura da grandeza do texto.”Jefferson Del Rios ESTADAO 
“Brilho inconteste de Thiago Lacerda como Hamlet.O ator se sai muito bem deste que é, talvez, o maior desafio de sua carreira, e torna-se credenciado a voos mais ambiciosos.” Luis Fernando Ramos FOLHA DE SAO PAULO
“Antes de tudo, um aviso: se você está em São Paulo, se prepare para correr até o Teatro Tuca. William Shakespeare baixou no bairro de Perdizes, sob a forma de “Hamlet” no corpo do ator Thiago Lacerda. MARCELO TAS — FOTO DE LENISE PINHEIRO.

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Eu e a querida Maria Beltrão

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Com direção de Ron Daniels, Thiago Lacerda vive Hamlet, de Shakespeare

Considerada a obra prima de William Shakespeare, a montagem da tragédia Hamlet — que acaba de estrear no TUCA — tem o mérito de trazer para os nossos dias o enredo de crime, traição, corrupção e vingança que o dramaturgo britânico criou há mais de cinco séculos.
Isto só foi possível graças ao brasileiro Ron Daniels, que começou sua carreira (como ator) no Teatro Oficina de Zé Celso Martinez Correa, mas que em Londres, já como diretor, esteve à frente da Royal Shakespeare Company por 15 anos e hoje é diretor-associado da companhia especializada no autor.
Shakespeare foi homem de teatro que escrevia um inglês rico, porém gostoso, para ser falado com naturalidade e para ser entendido pelo público. Por que, então, traduzir ou encenar o texto de forma rebuscada? Por que não traduzir o seu teatro de forma natural e gostosa de falar o português? Quanto mais acessível e direto for o texto em português, melhor, para que possamos entender com facilidade o que está sendo dito e para servir a um teatro ao alcance de todos”, diz o diretor, que traduziu a peça em parceria com Marcos Daud.
 
Na pele de Hamlet, Thiago Lacerda encara seu primeiro Shakespeare. A seu lado estão Antonio Petrin, Selma Egrei, Eduardo Semerjian, Roney Facchini e mais dez atores.
No programa da peça o diretor salienta que o enredo de um crime abominável, cercado de corrupção moral não é privilégio do reino da Dinamarca, na época em que Shakespeare concebeu a peça. Este é um enredo que conhecemos muito bem — vide os crimes que a suprema corte brasileira acaba de julgar em Brasília — e que poderia ter sido escrito hoje, tanto em Stratford-on-Avon (terra do dramaturgo), como em São Paulo ou em qualquer localidade do mundo.
Thiago numa interpretação marcante, dando ênfase à crise existencial do personagem
Por isto que mais do que retratar o drama de Hamlet, a montagem de Daniels enfatiza a crise existencial daquele rapaz. Abalado inicialmente com a rapidez com que a mãe casa-se com o cunhado logo após a morte do rei, seu pai, Hamlet não se contém ao saber, por meio do fantasma do pai, que houve um assassinato. Cláudio, que acabara de ser empossado pelo Conselho de Estado como novo monarca, matou o irmão e usurpou o trono real. Indeciso, mas com determinação, Hamlet jura vingança e luta para desmascarar os vilões, culminando com um final trágico.
O que mais chamou minha atenção em Hamlet foi justamente o estado de angústia, prostração e crise por que passa o personagem central. As aflições e dúvidas do rapaz são transferidas ao público: a gente deve se acomodar diante de injustiças, traições e vilanias ou se rebelar e lutar contra este estado de coisas?
Thiago inicia o segundo ato em cena, maquiando-se
Aqui vale o registro: Thiago Lacerda está totalmente entregue ao personagem e imprime verdade e comoção em cada palavra que profere. Não tenho dúvida em afirmar que é seu grande trabalho em teatro, um marco em sua carreira. Mas quero destacar também a atuação sempre brilhante de Antonio Petrin, que vive dois papéis, o fantasma e o primeiro ator da companhia que se apresenta no palácio real. Roney Facchini, como Polônio e, principalmente ao interpretar o coveiro (um matuto mineirinho), revela o humor shakespeariano e provoca gargalhadas da plateia.
Antonio Petrin emociona como o fantasma do rei
Hamlet sem dúvida é um dos grandes espetáculos do ano. Não perca, a peça está em cartaz até o dia 16 de dezembro.
 Fotos João Caldas

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Um belo Hamlet! – 20 de outubro de 2012

Meu caro, a mais recente montagem de Hamlet, dirigida por Ron Daniels, e com Thiago Lacerda vivendo o príncipe, é bárbara, merece ser vista. A peça estreou ontem, e agradou ao público. É um texto longo, ja muito visitado, cheio de armadilhas. Mas este não foi um trabalho de aventureiros, todos se saíram muito bem.
Ron Daniels foi, por muitos anos, diretor da Royal Shakespeare Company. Este é seu quarto Hamlet, e nenhum foi igual a outro, explica. Ele e Marcos Daud assinam a tradução e adaptação do texto, que surge enxuto e adequado ao século XXI. Foi resgatado o humor, perceptível há quatro séculos, mas perdido com a evolução da linguagem.
O palco é espartano, poucos recursos, luzes perfeitas, e um arraso de figurino, do qual cheguei a ambicionar várias peças. Vale dizer que tudo fica por conta dos atores – nada mais shakespeariano do que isso.
Antonio Petrin, o Fantasma, surge todo de branco em uma cena escura, parece flutuar. Rei Cláudio e seus asseclas se vestem como militares argentinos da década de 1970, e, quando abrem a boca, fica claro que botariam Videla e Galtieri no bolso. As mulheres seguem o clássico: branco para Ofélia e vermelho para Gertrudes, mas foi só tirar a peruca para jogar a rainha no sofrido rol dos culpados – belo efeito.
Talvez a maior surpresa seja Roney Facchini como Polônio, que, armado de um texto ágil e muito divertido, arranca inesperadas risadas da plateia. Ele quase rouba a cena com visual atual e falas burocráticas. Hilários também são os coveiros, que trazem o homem comum para a trama. Divertidos, parecem saídos de um cemitério de periferia, um arraso de texto.
Um dos requisitos para a estrutura do drama, um rei que ofereça suficiente contraponto para a força de Hamlet, é muito bem preenchido por Eduardo Semerjian. “Sem um rei forte, Hamlet fica perdido na trama”, disse ao final do espetáculo. 
E temos o Hamlet de Thiago Lacerda, que surpreende conseguindo – dura tarefa – não ser sempre lindo. Com um rosto crispado, olhar perdido, sombrio, torna-se pesado até dizer chega. Ele não economiza força ao viver o tormento da dúvida, os rompantes violentos de sua loucura deixam a todos em alerta, e, quando solta a fúria ao ver confirmada a verdade, vira um touro em cena. Arrasou!
Noites de estreia são sempre ingratas, foi visível o crescimento do elenco do primeiro para o segundo ato. Alguns, que no início pareciam perdidos em cena, acharam-se depois, mostrando a que vieram.  Potencial não falta a ninguém.
Um palavra descrevia Thiago Lacerda ao final: alívio. “Meu corpo está moído, e é muita coisa que passa pela cabeça”, afirmou. Estava feliz, mas exausto. Não é para menos, foram 3 meses de ensaios, e um personagem que é um dos maiores desafios para qualquer ator. Mas ele deu conta do recado.

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18/10/2012 – Atualizado em 26/10/2012
Hamlet
Thiago Lacerda vive o príncipe dinarmaquês
Uma montagem de Hamlet totalmente nova e brasileira. Foi esse o desejo que moveu o diretor Ron Daniels, um dos maiores especialistas em Shakespeare, para apresentar agora ao público “Hamlet”, que estreia nesta sexta, dia 19, no Teatro Tuca em São Paulo. Na pele do perturbado príncipe dinamarquês está Thiago Lacerda, que contracena com um elenco formado por 14 atores, entre os quais Antônio Petrin (fantasma do rei), Eduardo Semerjian (Cláudio) e Roney Facchini (Polônio).

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“A ideia é mostrar uma montagem completamente nova e não significa que abrasileiramos a peça, mas sim que usamos palavras que eu digo, que todos dizem. Não existe mística. Se eu não entendo, corto porque o público também não vai entender”, acredita Daniels. Um dos responsáveis também pela tradução da obra de Shakespeare, o diretor salienta que se dedicou muito para construir um texto que fosse completamente brasileiro, mas que também tivesse a maior lealdade com a montagem original. Ele explica os motivos pelos quais escolheu a primeiríssima edição de Hamlet – publicada pela memória de um ator que fazia um papel pequeno na peça, o papel de Marcelo – para esta montagem. “A colocação do monólogo do ser ou não ser faz muito mais sentido para mim na primeira dramaturgia, me parece muito melhor. Tem também o quarto monólogo que gosto muito e optei por não cortar, mas a ideia é oferecer o texto maravilhoso de Shakespeare ao público e ver como ele reage”, diz.

Para Daniels o texto do dramaturgo inglês continua atual: “Shakespeare sabia o que estava fazendo. Uma coisa que descobri é a quantidade de doenças que se fala na peça: Cláudio descreve Hamlet como um tumor que se espalha pelo corpo; Hamlet descreve Cláudio como uma pústula e, no final, não é só o Hamlet que está doente, mas a sociedade, com a corrupção. Todos estão doentes. E o retrato disso é empolgante. Hamlet é um gênio e se estivesse vivendo nos dias de hoje ele estaria em Hollywood”. Os ensaios levaram três meses e Daniels diz que o público pode esperar por um emocionante trabalho final: “O espetáculo tem quase duas horas e meia de duração e, com os ensaios, ganhamos muito conhecimento e profundidade. Espero que a experiência seja deslumbrante ao encontrarmos o público”.

Para Thiago Lacerda, o grande desafio desta montagem, bem como a beleza da proposta de Ron, foi encontrar – com muita simplicidade – uma solução para o drama familiar do texto. O ator comenta as características mais significativas e desafiadoras de seu personagem. “É a história de um menino que está doente e não sabe o motivo. E a capacidade imaginativa, a inteligência e a consciência intelectual que o leva à paralisia física são os elementos que mais me intrigam. Interpretar Hamlet, talvez seja impossível, por conta das inúmeras portas e caminhos que o personagem oferece”, diz o ator. Thiago ressalta a preocupação com a composição de seu personagem, um dos mais famosos e intensos da história da dramaturgia. “Conheço a peça, já vi muitos atores fazendo o texto, tenho as referências, mas a minha única ideia é ter integridade em relação ao que sinto. Esse Hamlet é o meu Hamlet; um somatório de encontros, ideias e nunca passou pela minha cabeça absorver qualquer característica de montagens anteriores”, diz.

Eduardo Semerjian, que vive Cláudio, também fala sobre o envolvimento com seu personagem: “Existe um momento em que ele fala das coisas que conseguiu com a morte do irmão: a coroa, o poder e a mulher. E eu usei o amor que ele tem pela mulher para humaniza-lo. Ele é um cara que também ama, que também tem sentimento e que também tem medo. Mas existe um outro lado dele que é o da fera que vai lá e assassina o próprio irmão, casa com a cunhada e simula que está tudo bem”.

O veterano Antonio Petrin, que vive o fantasma do pai de Hamlet, define a proposta da peça como um drama familiar, contado de uma maneira genial e com um enredo intrigante: um rei que é tirado do poder à força e é morto; uma rainha que se casa com o cunhado e um filho que se encontra desesperado com tudo isso e procura uma vingança. “E quem não conhece essa tragédia dentro de uma família brasileira? A própria TV se utiliza de núcleos familiares para contar as histórias. Cada um dos atores tenta extrair essa modernidade, essa coisa brasileira para que o público percorra por vários caminhos e descubra essa maravilha dessa peça”, diz Petrin.
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